quinta-feira, 26 de maio de 2016

Higiene pessoal em crianças autistas





Desde cedo aprendemos questões básicas de higiene pessoal e queremos transmitir tudo o que aprendemos a nossos filhos. Porém no autismo, o que é simples pra nós, pode ser tornar um desafio, e quando se trata de uma criança autista os pais precisam de muita paciência e tolerância para lidar com a situação. Crianças dentro do espectro autistas apresentam  maiores dificuldades para aprender atividades da vida diária do que crianças típicas, essa dificuldade se dá devido as deficiências na área da linguagem e habilidades sociais, até porque uma criança que não aprendeu uma habilidade social de imitar, não inicia as atividades rotineiras espontaneamente. .....
 Da mesma forma, uma criança que não desenvolveu a linguagem receptiva (compreender o que os outros dizem) não segue as instruções verbais dadas pelos adultos na execução das atividades rotineiras.

Afinal, as crianças com desenvolvimento típico desenvolvem todas as habilidades verbais e sociais necessárias para compreenderem o que vêem e o que ouvem,

e desenvolvem um interesse tão grande pelos outros indivíduos que torna altamente reforçador fazer igual a eles, parecer-se com eles, estar perto deles e fazer o que eles pedem e fazem. É pela ausência destas habilidades sociais e verbais e pela ausência desta motivação natural por imitar e seguir a instrução de outras pessoas, que o ensino de atividades de vida diária a crianças com autismo é tão difícil e merece estratégias cuidadosas e planejadas. Antes de conseguirmos a autonomia da criança nessas atividades (isso através das terapias com a terapeuta ocupacional) precisamos primeiro ter sucesso nessas atividades que as vezes a criança não permite nem mesmo nós pais realizarmos por elas. Isso pode ocorrer por transtornos sensoriais também, por exemplo, escovar os dentes pode se tornar uma guerra para os pais em crianças que possuem um transtorno sensorial na gengiva e podem não suportar as cerdas da escovas. 


Vou começar com o escovar o dente já que estava falando sobre isso. Medicamentos, dietas e hábitos de objetos que são postos na boca pode causar problemas de saúde bucal para muitas crianças com necessidades especiais. O Miguel aceita escovar a parte inferior da boca muito bem mas quando chega na parte posterior, é uma guerra , ele não deixa e por enquanto tem que ser na marra. Conversei com as terapeutas do Miguel e ela me deu algumas dicas embora eu não tenha tido sucesso ainda mas quero compartilhar com vocês porque como cada autista é de um jeito, pode ser que resolva para vocês. Mude de marcas de escova várias vezes e vá tentando perceber se a reação do seu filho é diferente, marcas diferentes podem usar materiais diferentes para confeccionar e algum desse material pode parecer mais "agradável". Também vale mudar de creme dental, com sabores diferentes.Você também pode tentar uma escova elétrica, claro que isso não vale para aquelas crianças que o sensorial não permite se aproximar de objetos elétricos que fazem barulhos ou vibram, no caso do Miguel eu ainda não fiz o teste mas ele adora esse tipo de coisa talvez dê certo, Antes de começar a escovar, sente o pincel na mão, os lábios e, finalmente, dentro da boca. Se para escova de dentes há sensibilidade desconfortável para limpar os dentes, comece com uma gaze ou uma esponja muito pequena. Quando você se acostumaram a passar uma cabeça da escova, e assim passo a passo até chegar a escova que deseja usar. Tente cantar musiquinhas, você acha na internet algumas musiquinhas que ensinam escovar o dente, vídeos animados, aplicativos de celulares, enfim tudo é válido, porque se a criança não gosta, ela pode aceitar melhor e até aprender como escovar depois de visualizar todo esse material, o negócio é distraí-lo. Se o plano A não funcionar, você pode tentar limpar os dentes enquanto é realizada uma atividade que a criança goste. Se ela gosta de livros que você pode usar a escova durante a leitura ou que eles estão contam uma história enquanto você faça a escovação. 


O Miguel se divertindo na chuva!
Para o banho, o Miguel ama água e na verdade algumas vezes que descuidamos até nos surpreendemos com o barulho do chuveiro porque ele já estava lá tomando banho sozinho, ele até se esfrega com o sabonete mas temos que tirá-lo do banho porque se não ele fica lá o dia todo rsrs. Mas já ouvi algumas mães dizerem que o filho autista não gosta de banho. Mas as dicas são parecidas com as da higiene bucal, aliás as dicas seguintes podem ser aplicadas a toda higiene da criança. Use histórias sociais (Histórias sociais são comumente usadas para crianças com autismo. Estabeleça rotinas. Teve um tempo que a rotina era sempre que chegar em casa lavamos as mãos do Miguel, e ele se costumou com isso, assim que chegávamos ele já fazia isso, assim como ele se acostumou a chegar em casa e trocar de roupas, assim que entra em casa ele já tira a roupa ou pede para nós trocá-lo. Histórias sociais são descrições curtas e simples que são criadas com a intenção de ajudar a criança a entender uma atividade ou situação particular, junto com comportamentos que são esperados da criança nessa situação particular.

Essas histórias também dão informações precisas sobre o que a criança poderia testemunhar ou experimentar em uma situação particular.

Use livros que você mesmo pode confeccionar, meu próximo post vou mostrar um livro sensorial que fiz para o Miguel que inclusive a terapeuta usou muito com ele. Mostre sempre ao seu filho como fazer em etapas de forma simples para que a criança possa entender. Defina recompensas, faça um quadro de recompensas e incentivos e cumpra sempre o que você prometeu para que a crianças realizasse a tarefa. Use e abuse dos aplicativos e jogos. Autistas são muito visuais, cole figuras na parede das tarefas a serem executadas, existem inúmeras figuras que você pode baixar na internet e imprimir. você também pode usar bonecos para mostrar o que deve ser feito.  Lembrando que cada criança com deficiência tem um perfil, uma necessidade que precisa ser considerada para adaptação dos recursos que vamos usar. A cada ensinamento um grande desafio, mas não desista, não subestime o potencial do seu filho, estimule, trabalhe e não desista, é preciso persistência, mas fortes como temos que ser, porque nem sempre somos como a sociedade diz "que temos que ser fortes para superar nossas dificuldades" e sim, podemos conseguir grandes coisas com nossos pequenos.



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