segunda-feira, 2 de maio de 2016

O inverno chegou: e meu filho não gosta de se vestir!



Nas redes sociais que eu sigo, lancei uma proposta para os leitores, sobre qual seria o tema que discutiríamos nesse post, pedi que apontassem novas ideias ou assuntos. Recebi vários temas muito bons, mas um me chamou a atenção até porque esta semana passada o frio chegou com vontade aqui no Sul/Sudeste mas especifico no estado do Paraná, eu fiquei imaginando a difícil situação que a mãe de algumas crianças autistas estão passando nesses dias, quando essas crianças não gostam de vestir roupas. LEMBRETE:(O tema que escolhi então, foi sugerido pela Leitora Elisa, e os demais com certeza virão em posts futuros)

Eu nunca fui de encher o Miguel de roupas, nunca fui uma mãe exagerada, muito pelo contrário algumas pessoas me diziam que eu deixava o Miguel à vontade demais, sempre pensei que seria melhor ele não ficar muito agasalhado, porque eu acredito (isso é o que eu penso) que é preciso a elas pegarem um pouco de resistência,  porque se não qualquer "ventinho" a criança já fica doente . .....

Quando o Miguel tinha um pouco mais de 1 ano muito antes do diagnóstico, eu costumava deixa-lo bem a vontade no verão só de fraldas ou de shorts sem a camiseta, e a minha mãe sempre falava para não deixar ele muito tempo "peladinho" porque se não depois ele não ia querer vestir roupas, e assim acabei diminuindo o tempo de deixar ele à vontade, e sempre colocava pelo menos uma regata bem leve, não sei se isso contribuiu, mas até hoje eu não tenho problemas com o Miguel para vestir roupas, a não ser toucas e luvas que ele odeia, acredito que o sensorial dele não seja tão sensível porque ele nunca achou ruim de determinada roupa ou tecido. Tenho sabido que muitas crianças autistas tem sérias dificuldades com roupas, e eu vou tentar explicar um pouquinho conforme eu vi em inúmeras pesquisas para não escrever qualquer coisa aqui pra vocês, como eu já disse eu não sou especialista na área e tento sempre falar das minhas experiências como mãe de um autista, mas como eu não tenho esse tipo de experiência eu fui pesquisar para falar sobre: e vou deixar aqui um resumo de tudo o que achei sobre o assunto. 

Todos nós que já sabemos um pouco sobre o autismo, á ouvimos falar da interação sensorial, processamento sensorial, transtorno no processamento sensorial que é a dificuldade que a criança autista tem em receber, processar, organizar e filtrar os estímulos externos vindos do ambientes através do paladar, olfato, visão e audição; e ainda as sensações internas no seu corpo vindo do sistema proprioceptivo, ou seja, aquele que dá a sensação do nosso corpo no espaço, nos dá a percepção da força muscular. É uma função das terminações dos músculos e tendões que sentem com quanta força os músculos estão tracionando e a rapidez com que o músculo esta sendo estirado diretamente ligado à movimentação ativa. Os cinco sistemas sensoriais (auditivo, visual, vestibular, proprioceptivo e táctil) dão as bases para o desenvolvimento das capacidades funcionais básicas que permitirão o desenvolvimento de habilidades mais complexas.


Miguel em uma das raras poses que fez para a câmera.
Um transtorno nessa área resulta em alterações em nosso comportamento e imaginem no comportamento das crianças com autismo. Elas recebem todos esses estímulos de uma vez e com grande intensidade, sem filtro, ficando para eles muito difícil, receber, organizar e selecionar o que é importante nas situações de sua vida daria. Isso deriva em déficit de atenção, alterações emocionais como grito, agressividade, organização e planejamento ao realizar tarefas do dia a dia, como alimentação, vestir-se, despir-se, ir ao banheiro, brincar.

E para algumas crianças com muita sensibilidade a esses estímulos sensoriais podem resultar em fuga das atividades e agitação, angústia, medo e confusão, uma das razões do porquê as crianças se isolam e apresentam movimentos repetitivos e interesses restritos. Buscam previsibilidade nesse mundo imprevisível.



Modulação sensorial:
É um  processo complexo do sistema nervoso central o qual manda mensagens neuronais que nos dá informações sobre a intensidade do estímulo, a  frequência, o tempo (duração),a complexidade e esses estímulos são ajustados e organizados.


Algumas alterações decorrentes de problemas na modulação sensorial:
Defensibilidade táctil, defensibilidade auditiva, insegurança gravitacional, inquietação motora, defensibilidade oral, defensibilidade olfatória, desordem do déficit de atenção.


Defensividade Sensorial (hipersensibilidade sensorial):

A criança se defende dos estímulos, e observamos que ele recusa a usar certos tipos de roupas, se incomoda com costuras e bordados nas camisetas, as camisetas ás vezes tem uma estampa linda, mas o avesso é áspero e a criança não que vesti-la. A criança é hipersensível a certas sensações na pele como dor e temperatura. E  nunca deve ser forçada a tocar em algo que ela não queira, se não gosta de pisar na areia, não pise. A criança poderá ter aversão à atividade ou ás pessoas e lugares relacionados desenvolvendo o medo como resultado.Recusa também alimentos de certas texturas, não gosta de atividades as quais seu pé não esteja no chão evitando balanços.


Sintomas de Defensividade Tátil: 

  • Dificuldade vestir roupas feitas de  diferentes materiais, dá coceira
  • Costuras e etiquetas de roupas e meias incomodam muito
  • Não gosta de dobrar a blusa comprida ou calça
  •  Solicita a troca das fraldas imediatamente
  •  Não gosta de toque inesperado, beijos, abraços
  •  Não gosta andar descalço na areia, grama,terra
  •  Evitar meias e sapatos novos(devido a costura ou sapato apertado)
  •  Evita multidões ou grandes salas cheias de pessoas
  •  Não gostam de escovar os dentes,pentear o cabelo,cortar as unhas
  •  Não gostam de ser ficar sujos

A forma como os sistemas sensoriais processam o estímulo afetam a qualidade da capacidade da criança responder de maneira adaptativa, harmoniosa. Bom, daria pra falar muito mais do lado científico mas não quero deixar o post muito maior, por isso vou deixar algumas dicas aqui. Sempre lembrando que o autismo é um espectro e por isso nenhuma criança autista é igual a outra, o que funciona para uma criança pode não funcionar para outra. 

Acho que o principal é sempre ter muita paciência, eu vi algumas dicas em posts dizendo para colocar a roupa na marra, mas sinceramente não sei se funciona, acho que o mais importante é procurar saber se a criança não quer vestir roupas por uma dificuldade sensorial mesmo (Hipersensibilidade tátil), ou se é uma  busca por uma reação do adulto ou ainda se é auto regulação, ou seja, algo necessário para o seu bem estar. Tente usar tecidos diferentes com texturas diferentes por alguns dias e preste atenção se ele apresenta reações diferentes em cada tecido, pode ser que um determinado tecido ele acabe aceitando. Outar técnica que uma terapeuta relatou que teve resultado é a atitude no momento. Por exemplo, se você está brincando com a criança e ela tira a roupa no meio da  brincadeira, imediatamente pare a brincadeira e diga que você não brinca com ela enquanto ela estiver sem roupas, e peça para ela colocar novamente, ela vai recusar , então você fala que vai colocar a roupa ao lado e daqui a 5 minutos você vai ajudá-la a colocar. Utilize  a técnica 3,2,1 são três toques, relembrando sempre o que vai fazer. Faça a contagem regressiva, assim você estará ajudando a  criança a se preparar para o que está por vir. 

Para o inverno evite roupas volumosas, que podem dificultar a criança a se mover, até mesmo no inverno existem peças quentes e leves, o meu filho tem casacos super quentes porém os tecidos bem leves que não pesam muito na criança; experimente vestir a criança com camadas de roupas mais leves. Tente comprar um casaco com zíper para que você possa abri-lo sem retirar por completo quando ele precisar ir banheiro, certifique-se que os punhos caibam confortavelmente nos pulsos e tornozelos do seu filho para não apertar e nem deixar o frio entrar. Converse sempre com seu filho explicando porque é importante usar roupas e seja um modelo mostre que você está sempre de roupas, Mais um exemplo que eu tenho com o Miguel é que sempre que nos trocamos perto dele e ele me vê tirando uma peça ele pega essa peça e me entrega pedindo pra mim colocar de novo 'rsrs. Tente deixar seu filho escolher uma peça de roupa, isso pode se tornar uma diversão para ele, mas também não deixe que ele decida tudo, é importante ele saber que você tem o controle da situação. Você também pode tentar cantar uma música ou contar uma história enquanto veste seu filho. Suas palavras podem ajudá-lo a distrair-se de tentar tirar as roupas. Um dos sites que pesquisei fala sobre a terapia de escovação ou Protocolo Wilbarger é um programa de terapia destinada a reduzir a defensiva sensorial ou tátil, que algumas mães disseram ter grande resultados apesar de não ter muita comprovação da pesquisa; vou deixar o link no fim da postagem pra quem quiser pesquisar mais sobre o assunto. 

Bom mamães acho que tudo se resume em muita serenidade e paciência nessas situações. Isso deve passar conforme a criança for crescendo, vivendo e experimentando as coisas do mundo. Nossa percepção do que está acontecendo vem depois da sensação ruim que muda nosso comportamento. Acredite, isso também passará.

Terapia da escovação: Protocolo Wilbarger (siga o link)

Fonte de pesquisa: Autismo em Goiânia 


2 comentários:

Alice Mends disse...

Muito interessante,apreendie detalhes até então desconhecidos.

Aparecida Oliveira disse...

Meu filho não gostava de vestir blusa de frio quando ia para escola no inverno, era uma luta, mas hoje ele já acostumou, meu filho aprende por repetição e insistência, até meus lençóis de cama ele não gosta de todos pela padronização, cores, estampas, mas insisto em por na cama até ele se acostumar e dá certo.

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