segunda-feira, 20 de junho de 2016

Autista sim, mas muito capaz




Saímos do consultório médico com um diagnóstico, e achamos que o diagnostico de autismo é uma triste sentença. Ainda mais porque muitas vezes ouvimos "Seu filho provavelmente nunca irá falar, nunca irá olhar nos seus olhos, terá crises de agressividade, talvez nunca será alfabetizado, e ele não gosta de carinho, não vai se socializar, vai ser difícil passear com ele, não gostam de barulhos e lugares com muitas pessoas, shopping nem pensar". Aí a gente pára e  pensa:  "Meu Deus, o que sobrou dos meus sonhos e do que idealizei como meu filho?" 

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Mas quero te falar, esqueça tudo isso que te falaram e se concentre no seu filho, não dá pra saber o que o futuro reserva e eu tenho certeza que sue filho ainda vai te surpreender muito, é impossível afirmar com certeza onde um autista vai chegar. Tudo dependerá dos tratamentos e terapias que a criança vai ter, os estímulos adequados e necessários e claro, do quanto o pais e aqueles que estão a sua volta acreditam em seu potencial. É preciso focar nas habilidades dessa criança, naquilo que ela é capaz de executar, não o contrário. 

É muito importante proporcionar vivências à criança, estimular áreas diferentes do seu desenvolvimento. 

Aos poucos descobrir o que ela pode e consegue fazer. Neuropediatras, psicólogos demais terapeutas, não são juízes que ditam a sentença de que seu filho é uma criança doente mental "terminal", e totalmente incapaz de qualquer coisa como se proferissem uma sentença de morte, e que os autistas não evoluem, não amadurecem, não superam e ficarão eternamente sempre do mesmo jeito, até mesmo porque esses profissionais não tem o papel de julgar, e sim de diagnosticar e tratar o individuo (pensamento refletido por estes mesmo profissionais).

O autismo é uma condição, uma forma diferente de perceber o mundo. Eu ouvi tudo isso aí que citei no inicio do texto (e sempre com ressalvas, e como dizem: não temos a certeza de nada) porém atualmente o Miguel é super carinhoso, adora dar beijos e abraços, adora passear no shopping, não se incomoda com barulhos, olha nos nossos olhos, ainda não fala mas continuo tendo fé, sabe porque? Antes do autismo, existe uma pessoa com possibilidades ilimitadas. Até por isso vemos tantas pessoas autistas que sambam na cara da sociedade que os acham incapazes e acabam conseguindo concluir estudos,  se incluir no mercado de trabalho, sendo médicos, escritores, inventores, cantores, cientistas e muitos ainda se casam e constroem família. O Miguel é uma criança autista e tem algumas dificuldades, aliás eu diria que muitas, mas ele pode aprender e está aprendendo, cada dia mais ele mostra isso pra gente. 

Reconheço que muitas vezes, eu acabo meio que "atrapalhando", porque facilito demais as coisas para ele, as terapeutas já me disseram várias vezes que eu tenho que deixar o Miguel ser mais independente, porque como mãe muitas vezes queremos proteger demais e fazemos tudo por eles, por exemplo: o Miguel é capaz de comer sozinho até porque ele come petit suisse sozinho sem precisar de ajuda, mas quando se trata de comida eu tenho que dar na boca, porque ele nãos faz questão de comer comida, claro que o petit suisse o interessa mais, e eu acabo sempre dando comida na boca porque é mais rápido e fácil e sei que assim ele come tudo o que coloquei no prato. 

O meu galã preferido!
Outra coisa foi tomar líquidos em copo de canudo, eu nunca dei porque achava que ele não saberia tomar no canudo, no inicio do ano eu achei que já tinha passado da hora de ensiná-lo, e coloquei no copo de canudo e na mesma hora ele já conseguiu tomar, ou seja, a limitação estava em mim que achava que ele não conseguiria. É por isso que eu quero tanto dizer pra você acreditar no potencial do seu filho, teste os limites dele e não facilite em nada para que ele possa se superar a cada dia. Aqui eu preciso me policiar em todos os momentos porque como mãe, eu sei o que o Miguel quer só de olhar pra ele, e acabo sempre lhe dando sem deixar que ele tente pedir de alguma maneira e isso prejudica a comunicação, ou seja, eu acabou não deixando ele superar seus limites nessa parte da comunicação. Alguns estudos demonstraram que os comportamentos desafiadores têm funções comunicativas importantes, que são: indicar a necessidade de auxílio ou atenção; escapar de situações ou atividades que causam sofrimento; obter objetos desejados; protestar contra eventos/atividades não-desejados; obter estimulação. 

Outra parte importante de se falar é sobre aquelas "manias" ou esteriotipias que eles apresentam. Estudos revelam que os comportamentos desafiadores são uma forma de comunicação,e que muitas vezes eles são evocados devido à comunicação pobre e, portanto, não são atos deliberados de agressão. Há abordagens que podem auxiliar a reduzir esses comportamentos ensinando a criança a utilizar meios alternativos de comunicação. De fato, a maioria dos estudos que investigam a eficácia dessas abordagens demonstra a diminuição desses comportamentos quando a técnica apropriada é utilizada, que é a identificação da função subjacente dos comportamentos. Converse com os terapeutas do seu filho e fale sobre a comunicação alternativa, e comece a trabalhar na maneira adequada ao seu filho. Toda criança tem potencial de aprender, o que pode mudar é a maneira a ser ensinado. Ofereça oportunidades para as crianças observarem ou interagirem espontaneamente (mesmo que com limitações) com demais crianças, como parquinhos, praças publicas e piscinas, já foi o tempo que criança especial ficava em casa e o máximo que ela poderia fazer  era desenhos abstratos e pintura as vezes só com o dedo, nem com pincel. Sim, eles entendem o que eu falo! Sim, eles fazem as atividades! Sim eles sabem que 'fulano' é o nome dele! Sim, eles vão aprender a escrever mesmo que à maneira deles". 

Essa parte de entender o que falamos é uma outra coisa que tivemos que mudar aqui em casa, hoje em dia o Miguel obedece quase todas as ordens de comando simples que damos, mas antes por ele não nos responder e não conversar com a gente, acabávamos achando que ele não entendia, e falávamos de tudo perto dele. Percebemos que se falássemos de uma determinada pessoa de uma forma mais negativa, ele não permitia que essa pessoa se aproximasse dele, e com mais atitudes semelhantes dele, o que eu e meu marido falávamos estava interferindo nele, e que ele entendia muito bem. Hoje sabemos que ele entende muito bem o que se conversa perto dele mesmo que ele pareça despercebido. Não subestime a capacidade do seu filho, o importante é nunca desistir. Logicamente há "dias e dias", uns mais fáceis, outros mais complicados, é preciso uma busca diária por conhecimento e estímulos, mais eles são capazes sim e nos surpreendem todos os dias. O que pra alguns não é nada, pra nós é um prêmio e vamos sim comemorar a cada conquista, nossa batalha não é fácil, mas o gosto da vitória nos vicia, queremos ver nossos filhos vencendo seus limites, estamos aqui para  os encorajá-los, esse é o nosso papel, cabe a nos acreditar que o potencial deles vai muito além do que os outros enxergam.

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O Miguel adorou tomar refrigerante de canudo 'rsrs

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Será que já é hora do meu filho dormir na própria cama? 



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