sábado, 31 de dezembro de 2016

Porque meu filho é autista?



Quando eu soube da possibilidade do Miguel ser autista, umas das primeiras perguntas que me veio foi "Porque o Miguel é autista? Porque ele seria?". Acredito que todas as mães já se fizeram essa pergunta um dia, e também acredito que muitas estão sem resposta até hoje como eu. Isso sem falar que a cada novo artigo publicado sempre alguém  nos manda um link com um "Você viu essa pesquisa?". Quando fazemos pesquisas nas internet sobre autismo, encontramos de tudo sobre as possíveis causas e algumas são bem absurdas, mas muitas vezes desesperadas por respostas até quase acreditamos em algumas coisas.

.....



Em algumas dessas minhas pesquisas, eu ia lendo as possíveis causas e tentando encaixar aqui em casa. Já li de tudo, Percebo que muitos desses pesquisadores insistem em culpar a mãe e nos colocam como a verdadeira causa do autismo dos nossos filhos, a mais antiga e por muito tempo falada e sustentada era a "teoria da mãe geladeira", acreditem toda uma geração, pais, em especial as mães, conviveram com o peso de uma culpa inescrupulosa e injusta pelo autismo de seus filhos, em 1940, o Psiquiatra Leo Kanner tirou essa conclusão dizendo que as tais mães geladeiras seriam apenas capazes de descongelar apenas o suficiente para ter uma criança e essa conclusão se deu ao observar a dificuldade que mães de autistas tem em brincar e muitas vezes interagir com o filho, o que ele não foi capaz de perceber é que as mães tinham dificuldades de se relacionar com o filho por causa do autismo e não os filhos eram autistas pela dificuldade da relação mãe e filho. Eu sei que existem muitas mães geladeiras por ai, mas muitas são mães de filhos típicos, tenho o total certeza que mãe não causa autismo, pois na verdade nosso papel de mãe vai muito muito alem desses estigmas... Somos eixo, a ponte, a voz, o mais forte vinculo que nossas crianças podem ter... Somos amor em carne viva por nossos filhos. Nossa luta diária para oferecer-lhes todas as nossas possibilidades e nossa torcida, apoio, suporte afetivo para que eles também façam o melhor que podem todos os dias... Isso é AMOR sem medidas.

Somos na verdade "mães Fogueiras" com uma amor intenso que arde constantemente. Essa teoria não se aplicaria nunca aqui em casa.

Sempre fui uma mãe louca pelo Miguel, deixava e ainda deixo qualquer coisa por ele, deixei de trabalhar inclusive para me dedicar o tempo todo a ele desde que nasceu, o Miguel foi muito planejado e desejado. O pior é que por mais que a literatura já tenha afastado a hipotese da "mãe geladeira" e do "lar congelante", AINDA vemos profissionais que delegam totalmente e exclusivamente aos pais, a responsabilidade pelo tratamento de seus filhos. Já ouvi, de um "profissional", que profissionais e escola são desnecessárias, e que os pais (óbvio, muito mais a mãe) é que têm que trabalhar com seus filhos, que a casa tem que "virar" espaço terapêutico. Ninguém percebe o que tem por trás dessas linhas "milagrosas"? Falam que mães não tem culpa. Mas ainda temos profissionais que mascaram isso ADORARIA que a cura para o autismo do meu filho estivesse na minha atitude. Seria bem mais fácil de resolver.  


Mas essa não é unica teoria que culpa a mãe, ainda falam sobre nascimentos muito próximos, o que descartamos aqui,  o Miguel é filho único, também complicações pré natais, o que nunca houve aqui, a minha gravidez foi super tranquila, estar acima do peso na gestação, aqui também não se encaixa, engordei 11 quilos na gestação, o que é considerado muito bom, fumar, o que nunca fiz, ter febre durante a gravidez, o que nunca tive. E quando param de culpar a mãe surgem muitas outras teorias, e entre elas falam-se sobre as vacinas, o mercúrio contido nelas seriam o principal causador, porém 90% das vacinas não tem o tal thimerosal há mais de 10 anos, e as taxas de autismo continuam subindo. E  quantas vezes me peguei vasculhando no passado da minha família algum antepassado possivelmente autista... E nunca encontrei nada. Achar correlação infundada entre as coisas é fácil, essa é a verdade, procuram-se uma causa e quando se procura algo que não se sabe o que é, qualquer coisa pode se tornar o alvo.
Essas pesquisas são feitas baseadas em coisas em comum em pais de crianças autistas e a verdade é que podemos ter muitas coisas em comuns com qualquer pessoa,

 por exemplo se 51% das mães que participam das pesquisas disserem que tiveram uma gripe em um período da gestação, isso poderia levar a um estudo que gripe durante a gestação seria uma das causadoras de autistas. Claro que é apenas um exemplo para que  você possa entender como essas pesquisas são feitas, mas pode até ser real que tenha acontecido, mas acredito que isso não aumente o risco de autismo na realidade.  Faz muito mais sentido aquelas pesquisas que estão saindo com descobertas sérias sobre o cérebro dos autistas, a genética...deveriam investir mais nisso. A verdade é que as causas do autismo ainda são desconhecidas, mas a pesquisa na área é cada vez mais intensa. Provavelmente, há uma combinação de fatores que levam ao autismo. Sabe-se que a genética e agentes externos desempenham um papel chave nas causas do transtorno. De acordo com a Associação Médica Americana, as chances de uma criança desenvolver autismo por causa da herança genética é de 50%, sendo que a outra metade dos casos pode corresponder a fatores exógenos, como o ambiente de criação. De qualquer maneira, muitos genes parecem estar envolvidos nas causas do autismo. Alguns tornam as crianças mais suscetíveis ao transtorno, outros afetam o desenvolvimento do cérebro e a comunicação entre os neurônios. Outros, ainda, determinam a gravidade dos sintomas. 


Eu sozinha já me culpei muito quando descobri que o Miguel era autista, achei que eu poderia ter me alimentado melhor, ter feito atividade física, ter descansado mais! E depois desse desespero todo veio o meu alivio, a culpa não é de ninguém! Não tem porque se ter culpa, porque isso não é um julgamento,isso não é cometer infração, ter filho especial é simplesmente praticar o amor todos os dias,ter responsabilidade pelo desenvolvimento do filho como qualquer um tem quando se tem a opção de se ter um filho! Agora vou relembrar uma frase que me foi dita quando eu recebi o diagnostico, vamos parar de olhar o retrovisor e vamos olhar para frente. Enfim... É preciso pensar sobre o que buscamos: a causa ou o causador? Definir causas podem também elucidar mais tratamentos, possibilidades que tanto almejamos... Mas enquanto a perversidade humana desejar apontar um culpado continuaremos dando passos atras no caminho da ignorância e do sofrimento. 
Já não vivo hiper focada em descobrir a causa, eu quero muito descobrir uma maneira de dar melhor qualidade de vida ao meu filho, nem sei se exatamente uma "cura" para o autismo, mas sinceramente quero esquecer culpa na minha vida,quero ser é feliz todos os dias juntos com meu filho,cada um com sua cota de compreensão e paciência pois  a vida continua e o caminho é longo e muitas as vezes não é fácil! Hoje é o ultimo dia do ano, e a verdade é que quero tudo novo para esse próximo ano, novos planos, novos sonhos, novas esperanças, novas metas, novas conquistas, novas lutas mas com novas vitorias também, e tudo sempre com meu filho e para o meu filho. esse foi um ano de muitas realizações, lutas e surpresas e mais um se inicia, que nossas forças estejam renovadas para mais uma etapa.



VOCE TAMBEM PODE GOSTAR DISSO:



0 comentários:

Postar um comentário