terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Preferencial não é privilegio, é necessidade!





E lá vamos nós pra mais uma saga!!! Hoje não seria um dia tão perfeito pra sair com o Miguel porque assim que ele acordou já vi que ele estava mais agitado que o normal, mas eu não tinha outra opção, precisava sair hoje pra comprar a mochila pra ele porque eu não teria outro dia antes das aulas começarem. Ele já estava impaciente enquanto escolhíamos a tal mochila, queria sair da loja de todo jeito, ele é assim, adora passear no centro, mas não quer que eu demore em uma loja, na verdade ele só quer entrar nas lojas que tem escada rolante pra ficar subindo e descendo e não era o caso dessa loja em que estávamos. 

Bom, chegou o momento de ir para o caixa, na fila tinha umas 20 pessoas, e o Miguel me puxando com toda a força quase me arrastando para sair da loja, 
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fui até o caixa preferencial e já falei com a moça responsável pelos caixas, ela me falou para aguardar e começou a passar uma lista interminável de uma outra pessoa enquanto o caixa ao lado estava rápido o atendimento porque eram poucos itens, perguntei se eu não poderia ir ao caixa ao lado porque estava quase sendo arrastada pelo Miguel enquanto ele me puxava e gritava, aí ela me falou que o caixa preferencial era só aquele que estava passando a lista gigante de itens, esperei e quando parecia que não ia acabar mais, o atendente do caixa ainda saiu do caixa, ai eu fiquei super nervosa, aliás já estava e falei pra ela que eu precisava ser atendida, ela repetiu que o caixa preferencial era apenas aquele que a moça tinha saído, eu já estourando respondi que ela então viesse segurar o meu filho que eu ficava aguardando o tempo que fosse preciso porque eu já não estava mais aguentando segurá-lo. Então "as pessoas que estavam na fila disseram pra ela me atender primeiro" e ela sem dizer uma palavra resolveu me atender de cara fechada e com raiva. Enquanto ela me atendia com  a maior má vontade que eu já vi, tentei explicar pra ela que autistas geralmente não gostam de filas e que prioridade não é privilegio e eu só pedi o atendimento preferencial porque o Miguel estava super agitado e eu já não o consigo segurar mais quando ele está assim, eu não estava querendo ser melhor que ninguém da fila, queria apenas que ela compreendesse a situação. 


Não é raro as vezes em que passamos por situações semelhantes, na fila de prioridade de algum hospital ou onde quer eu esteja, acham que estou exagerando, pois ele anda, escuta e enxerga.  as pessoas se esquecem que nem todas as deficiências são visíveis. A  maioria das classes de deficiências permite à elas que se identifique – e seja identificado – como tal e, portanto, contam com a boa vontade da sociedade  e dos órgãos protetores para melhorarem sua qualidade de vida. Por outro lado, existem pessoas que possuem deficiências não visiveis, mas nem por isso menos importantes, já que essas pessoas também requerem adaptações que são fundamentais para conseguirem realizar com tranquilidade suas atividades mais cotidianas.

Talvez uma das causas das provocações intermináveis dos  clientes que, vira e mexe, apontam seus dedos para alguma mãe com filho autista ou com qualquer deficiência não visível na fila preferencial,

despejando sobre eles insinuações levianas e olhares de julgamento, é a sinalização. Em 90% das  a placa que sinaliza a fila preferencial traz uma figura de um idoso, um cadeirante e uma grávida, além de, na maioria dos casos, a palavra “deficiente” vir acompanhada do “físico”, gerando a falsa ideia de que a única pessoa com deficiência que pode utilizar aquela fila é o cadeirante. É bom esclarecer que o atendimento prioritário é previsto pela Lei Federal nº 10.048/00, que determina que as pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a sessenta e cinco anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo terão atendimento prioritário em repartições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos, através de serviços individualizados que assegurem tratamento diferenciado e atendimento imediato. Essa lei também assegura a prioridade de atendimento em todas as instituições financeiras. Pessoas com deficiência, segundo o DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004 são aquelas que possuem limitação e incapacidade para o desempenho de atividades, incluindo a deficiência física, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência mental, deficiência múltipla e, ainda, os casos que se enquadram na dificuldade de locomoção com prejuízo para movimentar-se, permanente ou temporária. Não é sempre que peço atendimento preferencial, quando vejo que o Miguel está tranquilo, literalmente "de boa" eu fico nas filas normais, só quando estou sozinha, porque na maioria das vezes saio com meu marido junto pra me ajudar, mas se estou sozinha, o Miguel está agitado ou nervoso, aí eu peço, e logo vejo os olhares de reprovação.


Quando vamos levá-lo ao médico eu peço sempre porque é um lugar que ele já entra chorando, gritando e esperneando, sem falar que eu tenho que sempre pedir para o meu marido entrar junto para ajudar na hora de examina´lo. Eu acredito que é um direito e até antes do direito é uma necessidade, seu quando o Miguel está agitado assim eu não conseguir um atendimento prioritário, eu simplesmente não consigo fazer nada. Eu até acredito que deveria ser um pouquinho diferente porque já vi várias pessoas dizerem que a fila preferencial geralmente demora mais que a normal, e acho que o atendimento deveria ser diferenciado, não exatamente ser mais rápido mas de acordo  com a necessidade da pessoal especial, A lei não fala em momento algum que as instituições financeiras devem colocar um caixa para atender as pessoas descritas no artigo primeiro e sim que estas devem ter um atendimento preferencial, ou seja, aquele que deve ser tratado de forma diferenciada por ter uma condição especial e essa condição foi descrita muito bem no artigo 1º da lei 10.048/2000.

Eu particularmente entendo, que o tratamento preferencial não deve ser feito da forma atual pois não está alcançando o objetivo da lei, que é fazer com que essas pessoas sofram menos com a espera nas filas. 


E como deve ser feito? As instituições poderiam organizar duas filas como é feito hoje, porém qualquer dos caixas deve estar apto a atender os preferenciais, ou seja, estes sempre irão passar na frente daquele que está na fila normal, não devendo haver caixa específico para esse fim. Seria bem mais fácil e evitaria a situação que passei hoje. As pessoas nos olham com olhares de reprovação, como se fossemos culpados pelo autismo e tivéssemos escolhido isso só pra ter direito a atendimento prioritário, uma vez uma pessoa veio me questionar eu respondi pra ela que daria tudo pra não precisar usar a fila preferencial e ter um filho tipico, mas não escolhi ter um filho autista, mas escolhi amá-lo acima de tudo e fazer de tudo pra ele ter uma melhor qualidade de vida.


E fica o aprendizado pra nós também, que nem sempre devemos julgar pelo o que nossos olhos veem sem saber. Aquela pessoa pode ter uma deficiência não visível mas carrega sua história de lutas e dores e se não respeitadas são levadas a situações constantes de constrangimentos públicos. Fica a dica para termos muita cautela ao observar alguém que necessita de prioridade. é claro que existem oportunistas, infelizmente, mas precisamos contar com o bom senso e honestidade das pessoas, afinal nós mães especiais sabemos muito bem o que passamos quando temos que enfrentar uma fila no meio de uma crise de nossos filhos. Não é privilégio, é necessidade. E lembre-se: Muito mais que o cumprimento de uma lei, isso é exercer a cidadania e tratar a outra pessoa com simpatia e amor ao próximo, é ter solidariedade pelo próximo, se colocar no outro do outro pode ser um bom começo para que você entenda a importância que pode ter a diferença que você pode fazer ao ceder o seu lugar em uma fila...



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