quinta-feira, 23 de março de 2017

Meu mundo Autista: Em a viagem perfeita!


Me lembro muito  bem do dia em que a nossa família estava reunida e naquele almoço decidimos que faríamos a viagem de ferias todos juntos, eu me animei com a ideia logo no inicio e imaginei como seria ótimo toda a família reunida, mas ao mesmo tempo me veio um aperto  no coração por imaginar como o Miguel reagiria a essa viagem. Nesse mesmo dia decidimos que iriamos todos ao Parque de Diversões do Beto Carrero e eu que desde menina sonhei com este lugar não podia acreditar que a chance de ir lá tinha chegado, mas ao mesmo tempo, eu fiquei imaginando como o Miguel reagiria no parque, será que seria tão legal para ele também?



Afinal um lugar desconhecido, lotado, com muitos estímulos a ser recebido, já imaginei ele chorando e eu e meu marido tentando acalmá-lo, e eu como mãe quero sempre ver o meu filho feliz, a felicidade e o bem estar dele está acima até do que eu possa sempre ter sonhado, por outro lado, algumas pessoas da nossa família que tinham ido ao parque nos encorajavam a ir pois tinham a certeza que eu não tinha no momento de que o Miguel iria adorar e ficaria super bem, mas claro que lá no fundo eu pensei, acho que não será bem assim, afinal eu sou mãe e conheço muito bem o meu filho, mas decidimos ir, e sabe aquele
"seja o que Deus quiser"? Foi aí o que eu, e meu marido resolvemos. 
......


Ter um filho autista não verbal faz com que a gente fique apenas imaginando o que eles estão sentindo e pensando, quando eu dizia a ele que iriamos viajar, não tinha como eu saber o que ele pensava disso, se gostava da ideia ou não, a praia eu sabia que ele adorava pois já o levamos outras vezes, mas eu ainda imaginava que ele daria trabalho por querer ficar no mar o dia todo, mas como eu sabia que ele ama isso, é mais do que merecido. Mas no fundo, eu pensava  que mesmo que fosse um pouco difícil , o Miguel ficaria feliz com a viagem, afinal ele adora passear. Durante os 2 meses que antecederam a viagem eu sempre que dava mostrava videos do Beto Carrero para o Miguel e dizia que iriamos lá em breve, que seria divertido, um lugar novo pra gente, mas que seria legal, como o Miguel sempre faz, parecia que não dava muita bola, deixei ele ver os filmes do Madagascar e do Shrek que eu sabia que teria lá para ele ir reconhecendo os personagens. 


E finalmente chegou o dia da viagem. Fomos de carro, saímos umas 6 horas da manhã e a viagem durou umas 6 horas e pouco até a casa dos meus cunhados em Joinville. O Miguel foi super bem na viagem, dei dramin pra ele não enjoar e como eu sempre digo, dramin não faz o Miguel dormir e por isso ele foi a viagem toda curioso com o caminho mas foi super tranquilo, claro que as vezes ele ficava entediado e procurava o que mexer no carro que estivesse ao alcance da cadeirinha, mas foi bem melhor do que eu esperava. Ao chegar foi quando o Miguel chorou um pouco, afinal era apartamento e ele esta acostumado com todo o espaço de uma chácara onde moramos e de repente ele se vê preso em local desconhecido, mas depois que o pai o levou ao parquinho do condomínio ele ficou super bem e no outro dia já era o passeio no Beto Carrero. 


Saímos cedo e como sempre o Miguel muito animado para passear. Ao chegar no parque ele estava ansioso para entrar, nem queria ficar nas filas e fomos logo para o atendimento prioritário e logo entramos, lembrando que deficientes e seus acompanhantes pagam apenas metade do passaporte e meu marido entrou como acompanhante e eu não paguei por que foi o dia do meu aniversário. Dentro do parque usamos um conector que o mantinha ligado ao meu marido e foi otimo, não corria o risco dele se perder de nós em meio a tanta gente, o parque estava super lotado, era o primeiro dia da semana que estava aberto,  mas vou fazer um post falando apenas desse conector. Por ter mais de 1,20m o Miguel foi liberado em quase todos os brinquedos, e para a nossa surpresa eu nunca vi o meu filho tão feliz em minha vida, foi simplesmente incrível, os sorrisos, os pulos de alegria e as mãozinhas batendo palmas ao olhar tudo e ao andar nos brinquedos foi a certeza de que eu e meu marido fizemos a escolha certa ao ir nesse passeio. Eu olhava o tempo todo para o rostinho dele tentando traduzir o que ele estava sentindo, se realmente ele estava bem e gostando.
E eu me sentia realizada ao ver cada demonstração de alegria e euforia do meu filho. 

Ah,  e também não ficamos em fila em nenhum brinquedo que o Miguel foi, a unica fila que enfrentei foi pra ir na montanha russa invertida "Porque o Miguel não iria nessa, é claro! mas em todos os brinquedos que fomos em família, íamos para o inicio da fila e os monitores dos brinquedos sempre muito atenciosos e educados, nunca fui tratada  tão bem em uma fila preferencial, os funcionários e colaboradores do parque estão de parabéns, eu que estou acostumada as caras feias todas as vezes que preciso de um atendimento preferencial fui surpreendida por todos que nos atendiam com muito respeito e cuidado. O engraçado é que o Miguel não queria ir nos brinquedos mais calmos como carrossel mesmo, a monitora teve que parar pra ele descer porque não quis ficar, ele queria ir nos mais radicais que desciam na água principalmente, montanha russa e demais brinquedos com emoção. Uma atração também que não rolou foi o cinema 4D do Betinho, o Miguel não quis ficar e muito menos assistir ao filminho, o problema era o "ficar preso", imagino que ele não queria ficar em ambiente fechado sabendo de tudo o que tinha lá fora para ele explorar, e isso me faz pensar que levá-lo ao cinema por enquanto, acho que ainda não dá. Aliás, a nossa programação no parque foi diferente da nossa família, tivemos que fazer a nossa própria programação visando sempre o Miguel, não assistimos a nenhum show porque sabíamos que o Miguel não ia querer ficar parado, levei os lanchinhos que ele gosta de comer porque eu sabia que como ele está com muita restrição alimentar ele não aceitaria qualquer coisa que encontrássemos lá pra comprar, tentei planejar o máximo possível mas "sem neura" pra que fosse um dia proveitoso, nem foquei em tirar muitas fotos porque eu queria mesmo é curtir aquele momento em família, mas resumindo foi um dia perfeito. 


Claro que alguns brinquedos eu sabia que não daria certo: como um bote inflável que a criança pilota sozinha, nem tentamos com o Miguel porque ele não saberia pilotar e com uma simples e unica explicação, afinal obedecer ordens de comando não é tão simples para um autista, além do mais sabendo a sua fissura por água eu sei que ele com certeza desceria do bote para brincar na água, aliás tinha um brinquedo que fomos na água ele queria descer, mas depois entendeu que deveria ficar no brinquedo. Ao final do dia voltamos para a casa dos meus cunhados e no outro dia fomos para uma casa na praia e mais uma vez o Miguel nos surpreendeu, não chorou quando chegamos apesar dele não conhecer a casa e na praia quando fomos com ele se divertiu muito com o pai e ao contrário do que pensei, quando ele queria entrar na água ele nos puxava pela mão mas não ia sozinho. 
Enfim, nossa viagem foi incrível, o Miguel foi um príncipe e não nos deu um pingo de trabalho, pelo contrario ele se divertiu muito. 


Percebi então que todo o medo que eu sentia antes da viagem de que o Miguel não gostasse era todo meu, foi ótimo pra ele e talvez se eu tivesse me rendido a esse medo, eu não teria proporcionado momentos tão incríveis ao meu filho. Em tudo o que eu achei que ela não gostaria ou não se sentisse bem e isso nos causaria todo um transtorno, foi o contrário, ele se mostrou muito maduro e receptível a coisas novas e eu nunca vou me esquecer das expressões de alegria e euforia que vi nos rosto dele durante essa viagem. As vezes achamos que tudo vai ser difícil ou que eles não vão gostar mas o verdadeiro bloqueio está em nós, pais que nos preocupamos demais em alguns momentos e isso pode nos impedir de viver grandes momentos com nossos filhos. Tudo é possível, apenas precisamos dar tempo ao tempo, ver a melhor época e local para nossos filhos, planejar e estar disposto a enfrentar o que seja que tenhamos que passar, seja um dia difícil por não se adaptarem ao lugar ou a um dia incrivelmente divertido com muitas caras e bocas alegre. Nos demais dias em que vi meu filho brincando com todos da família em uma verdadeira inclusão dentro de casa, causou em mim uma emoção indescritível. Esses momentos em que vemos nossos filhos serem compreendidos e incluídos causam em nós a maior alegria que podemos sentir, é tudo o que queremos, ver nossos filhos felizes e do jeitinho dele eu vi ele muito realizado. 


Vamos nos permitir levar nossos filhos em passeios que talvez possa parecer trabalhoso, levá-los a novas experiencias, autistas gostam de rotina sim, mas o novo também pode ser ótimo pra eles, descobri no Miguel um aventureiro que eu não sabia que existia e talvez não soubesse se não tivéssemos arriscado. Poderia sim ter sido um passeio estressante com crises nervosas, com choro pelo desconhecido e pelos inúmeros estímulos recebidos, mas não foi e eu não saberia que seria  assim se não tivesse arriscado. Valeu a pena cada segundo. Nossas férias foram incríveis, e como disse a coordenadora da escola do Miguel quando eu fui avisar que ele ficaria fora alguns dias, "Vai sim mãe, vai ser ótimo pro Miguel" e hoje eu posso dizer que foi tudo incrível, tudo maravilhoso, nunca vou me esquecer das expressões felizes que vi no rosto do meu filho nessa viagem,  com calma e muita  fé vivemos uma viagem inesquecível, e se vamos de novo? Ah claro que sim, já estou nos planos para a próxima viagem, dá pra pular para as próximas férias logo???


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1 comentários:

alekcia ramalho disse...

O Meu filho também é Autista, fomos o ano passado no Parque, foi sem dúvida o melhor passeio que fizemos, realmente toda a equipe é incrível, com um carinho e atenção que nunca vie em lugar nenhum, quem tiver a oportunidade de levar seu filho não percam é uma experiência incrível e você sem dúvida irá se surpreender!

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